7. I’m a cyborg, but that’s ok (K-movie)

I'm a cyborg but that's ok

O tema “loucura” sempre foi explorado em filmes e livros. Há aqueles clássicos que sempre fizeram o maior sucesso. Como Carta de um louco de Guy de Maupassant (LUV), O alienista de Machado de Assis,  e filmes como Um estranho no ninho… Na cova da Serpente, O Solista, Numb e tantos outros filmes de paranoia e psicose que com certeza estão invadindo a sua mente neste momento…

I'm a cyborg but that is ok

Poster Im a cyborg but thats ok

Cha Young-goon (Lim Su-Jeong) é hospitalizada numa clínica psiquiátrica, por acreditar que é uma ciborgue. Mas, ela tem “histórico de loucura” pois sua avó, que tanto gostava – e era mais ligada a ela do que a própria mãe – achava que era um rato.

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Cha Young, na clínica em que é internada por tentativa de suicídio, recusa toda a comida que lhe oferecem, preferindo carregar as “baterias” através de um transistor. Cha usa a dentadura da avó e fala com todos os aparelhos eletrônicos.

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Depois que internaram sua avó e elas nunca mais se viram e Young não conseguiu dar a dentadura para avó, Young piorou, ela acredita que seu objetivo na clínica psiquiátrica é matar os homens de branco.

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O legal do filme é que se passa em uma clínica psiquiátrica e temos várias histórias absurdas e comportamentos irreverentes de pacientes ali internados, não fosse só isso, vemos no filme a realidade deles e não a nossa (não loucos). Foi isso que “inovou”: você não os vê como loucos exóticos e sem sentido, você os vê como eles mesmos os veem e ao mesmo tempo você perde a ideia de loucura (ou não).

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Temos um homem que só pede desculpas, uma gordinha que tem meias voadoras, uma garota com uma voz bonita que fica se olhando no espelho toda hora, uma contadora de histórias… É uma realidade alternativa, em que eles acreditam e vivem… por que não real? Filmes assim colocam em choque as convenções e nos mostram o que “os loucos” também são acima de tudo, humanos, mas que têm uma ideia do real “diferente”, para não dizer surreal, distorcida por traumas etc. etc.

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Desde o começo do filme quando nos apresentam os pacientes já não temos uma fonte confiável. É a louca contadora de histórias que nos diz as mais absurdas coisas sobre os pacientes. Depois, só temos nossas próprias impressões a respeito de todos os personagens.

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Não temos noção do que é e do que não é. Os diálogos e ações apenas nos apontam um caminho e tiramos conclusões a respeito, o que torna o filme bem enigmático e bonito de ver.

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Young-goon chama a atenção de Park Il-soon (Rain aka Jung Ji-Hoon — LUV U), um paciente com uma máscara, que após sua mãe tê-lo deixado aos 15 anos, ele virou ladrão, rouba tudo que vê e tem obsessão por escovar os dentes (uma vez que foi a única coisa que sua mãe disse a ele antes de partir). II-soon, de maneira sem igual, vê o problema de Young-goon que é não comer e tenta ajudá-la para que ela não adoeça.

Achei incrivelmente atraente e belo. Até o amor de ll-soon por Young goon é explorado com delicadeza e pureza. É engraçado como temos simpatia por pessoas loucas e como eles, no filme, sendo todos loucos conseguiam não ridicularizar um a loucura do outro, mas conviver com ela e até mesmo compartilhar dela… porque um louco com sua loucura parece tão sozinho e incompreendido (às vezes como todos nós).

I'm a cyborg but that's okI'm a cyborg but that's ok

A montagem do filme, a fotografia, as posições de câmera. Nota 10. Como Young goon confiava mais na avó do que em qualquer outra coisa, ela sempre perguntava para sua avó qual o propósito de sua vida, qual sua missão, mas nunca conseguiu ouvir direto o que sua avó dizia. No final, ela e Il-soon descobrem… mas o resultado não é bom…

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E assim como um começo do filme é com uma pontada no coração e um sussurro de “nãaaao” que você se despede desses personagens cativadores.

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Você até se sente um pouco esquizofrênico depois que vê o filme. Mas afinal, o que são os sonhos não é mesmo?

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