Livro 7: Aprendi com Jane Austen ou Porque não ler Jane Austen!

Eu não gosto de Jane Austen por causa romance. Muito pelo contrário, é por causa do Mr. Darcy. Na verdade, muita gente passa longe de “Orgulho e Preconceito” ou qualquer livro da Jane Austen simplesmente pelo fato de achá-la “romântica”. Mas, Jane Austen é realismo. E se você prestar atenção comparado a romance mesmo, tem muito pouco.

Vamos lá. Resolvi falar de Jane Austen, porque estou lendo “Aprendi com Jane Austen” de William Deresiewicz. Se eu te disser que Deresiewicz é um crítico literário que era um professor de Inglês na Universidade de Yale e lecionou na Universidade de Columbia, onde ele concluiu o seu bacharelado e doutorado… SO, imediatamente você transferirá o livro para um patamar de algo ultra mega bom, uma vez que você o imagina falando criticamente a respeito dos nossos 6 preferidos livros. Só que não.

Até agora não sei do que se trata esse livro. Em que gênero esse ET se encaixaria? ET literário. Balela grande. Bobagento literário. Auto-ajuda literária. Diário literário. Emoções tensas literárias. Na verdade só de você ler o subtítulo, você já sabe do que estou falando: “Como seis romances me ensinaram sobre amor, amizade e as coisas que realmente importam”. pff

Pois sim. O ET literário nada mais é que tudo o que os nossos blogs de “resenha” e discussão sobre dramas (no caso livros), em que colocamos todos nossas impressões e reações pessoais incluindo até experiências próprias para “explicá-las”.

Primeiro, o que é crítica literária afinal? MUITO BOM RECOMENDO. Mas tudo bem. Nós entendemos que a pretensão do livro não era essa. Era só um ensaio, “pensamentos” a respeito dos livros. Eu acho. Ele fala sobre experiências da própria vida e como ele empregou as “lições” da mestre Austen. Parece ridículo, mas ele vê Austen como uma professora que ensina coisas banais (que podem facilmente serem ensinadas) como caráter e comportamento – rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.

Ele nos diz o que qualquer um que lesse os livros da Jane já saberia: que Jane Austen fala sobre a importância de valores e princípios, caráter e comportamento, como observar as mais distintas personalidades, não confiar totalmente nelas ou em suas “primeiras impressões” etc etc etc.

Deresiewicz pecou, para mim, porque não falou sobre o estilo leve de Jane ao escrever, o seu humor fino e sutil, sua ironia e sua crítica mordaz à sociedade da época, até mesmo de seus arquétipos queridos. Deresiewicz diz o livro todo que só aprendeu sobre amor e amizade? Vocês conseguem ver a dissonância disso?

Não é fácil galera. A cada frase como “A vida é feita de mudanças. Nós sabemos disso. Jane Austen sabia disso também” era uma facada na minha barriga. Como um ultraje a Jane Austen. Eu via Jane Austen agonizando a cada palavra que a lisonjeava e seria tudo que, ela em vida, zoaria grandão, ou melhor, sambaria na cara.

Eu confesso que com o livro também passei a ver Jane Austen de outra maneira… dó da pobre coitada que já teve versões zumbis de seus livros. tsc Eu só consigo ver a estrutura da história. Ele falou de elementos na estrutura dramática que ela empregou que foi original como o “obstáculo” entre Mr. Darcy e Elizabeth, que, era um conflito interno e não externo.

Ele também cita, que achei interessante, que quem gosta de Jane Eyre (Charlotte Bronte) não gosta de Orgulho e Preconceito (Jane Austen) porém mais entre os críticos quando ele estudava ainda etc. Isso por ambas representarem o conflito de romantismo X realismo, achei engraçado porque atualmente eu admiro os dois livros da mesma forma, sem se levar pelas minhas convicções próprias. Aliás, acredito bem que, posso ler um livro que fala sobre coisas que não acredito ou compactuo e ainda sim ser uma boa obra. Voltamos à questão da crítica literária. Será que faz parte dela o julgamento de livros a partir das nossas próprias convicções, sendo completamente parcial?

Sim, para o meu benefício próprio e etc etc etc Jane Austen mudou a minha vida. Mas, estamos longe de discutir Jane Austen imparcialmente, analisando sua história, sua estrutura, sua linguística e expressões e no que isso resultou e que efeitos produziu…

Hoje quando releio aleatoriamente, eu já não vejo mais o romance. Também não me importa muito. Porque Mr. Darcy, galera, só o da Jane Austen mesmo.

Vocês não devem ler Jane Austen se for para ler um crítico literário desses depois. E tenho dito.

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