Filme 1: Se meu apartamento falasse

Queria começar a falar logo sobre filmes e etc etc etc como postar mais sobre livros e dramas, sei que anda meio parado mais é que… Aprendi recentemente que devemos utilizar uma famosa explicação para tudo na vida, que naturalmente define a nossa falta de consistência naquilo que acreditamos ser uma desculpa plausível: “A vida é assim”.

Quando alguém simplesmente vier com uma desculpa dessas lavada tensa que não satisfaz a sua falta de compreensão a respeito (por não encontrar motivos lógicos ou facilmente justificáveis) e a falta do outro (da pessoa ao criar uma desculpa tão “eu nem pensei nisso o suficiente para encontrar explicação”) ENTÃO VOCÊ simplesmente você deve dar uma voadora em quem diz isso.

Então Baxter (Jack Lemmon) talvez seja esse cara que diz “A vida é assim” porque ele é um cara normal, um zero à esquerda, só mais um no mundo, simples funcionário da IBM em Nova Iorque, que empresta o seu apartamento para os chefões da firma traírem suas esposas. Ele tem por objetivo implícito conseguir subir de cargo na empresa.

 

O grande problema é que Baxter é um bunda mole total e seu apartamento vira um verdadeiro festim quando todos começam a se aproveitar e a agendar horários no apartamento dele todos os dias. É interessante observar a trilha sonora e os temas que ela tem para cada personagem. Tem a música do apartamento, a música do Baxter, a música do trabalho. Jeff D. Sheldrake, seu chefe, o chama para saber de quem é a chave de um apartamento que circula na empresa. Então, para surpresa de Baxter, ao invés de demití-lo acaba pegando também o apartamento emprestado.

Baxter é promovido, o objetivo dele era esse, mas com o intuito de depois tentar conquistar Fran Kubelik (Shirley MacLaine) a ascensorista da empresa por quem ele é apaixonado. Mas nesse dia Sheldrake leva Fran para o apartamento. Tudo bem, não fosse Fran tentar suicídio em seu apartamento e ele encontrá-la e começar a cuidar dela.

Com Baxter constantemente animando Fran, ela percebe o quanto ele é um cavalheiro e temos uma cena totalmente level FRIENDZONE quando ela diz: “Mas por que eu não amo alguém como você?” Baxter é o típico idiota babaca que faz tudo pela garota que gosta e só se ferra. Baxter é o princípio, é o Homo neanderthalensis do nosso tão conhecido esteriótipo loser que surge no cinema.

 

Baxter é aquele cara que elogia quando a mulher corta o cabelo. ownt*-* Nós amamos Baxter de cara por ele ser esse bobão ingênuo que tem que manter o “agrado” aos chefes, não tem sua vida social e agora Fran, que ele gosta, fica com seu chefe no seu apartamento! Mas nesse momento, vamos dizer o que aprendemos no início do post: “A vida é assim”.

The Apartment é um filme de Billy Wilder de 1960 é uma crítica à sociedade americana que era ao mesmo tempo hipócrita e careta. Uma sociedade que tem um discurso moral vigente e que por baixo dos panos fazem ao contrário. É também um filme que trata do tema da traição e do suicídio com muita liberdade para a época.

Num momento do filme, todos os funcionários se encontram para uma confraternização de natal. Com bebidas, música, algazarra total. E então o espaço de ordem e respeito que era o local de trabalho vira um verdadeiro bordel.

Era do capitalismo, da mecanização, do trabalho, vê-se um vazio com as ruas sombrias, úmidas, cheias de lixo, suburbanas… O cinema está às voltas com o neo-realismo e nós estamos às voltas com um impecável filme de humor e drama, que não pode deixar de ser um clássico.

Ah, mas você quer saber do final? A vida é assim. 😉 Eu tenho para mim que quando ele está fazendo um jantar para os dois e diz sem pretensão nenhuma que é muito bom ela estar lá com ele (não me lembro agora a frase que ele usa) é o momento em que ela sente o quanto aquilo é verdadeiro e o quanto ele a deixa confortável. Talvez seja por ele querer jogar cartas com ela. Talvez. Mas é quando ele resolve abandonar tudo e não emprestar seu apartamento para Sheldrake é que ela percebe que ele é um homem diferente e demonstra uma força que até então não tinha. É que às vezes ser amado assim despretensiosamente e a olhos vistos nos faz querer demais obter mais e mais dessa doçura. Mas a vida é assim, só que não.

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